" E lembre sempre: você será HOMEM na medida da sua masculinidade, e será MULHER na proporção da sua feminilidade. É a sexualidade que define o ser humano concreto e faz o ser historicamente PESSOA, a imagem de Deus. Por favor, não confunda sexo com genitalidade! Este lembrete chato é porque tem gente que esquece".
Ovídio Zanini

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Comunicação entre pais e adolescentes sobre sexualidade

A adolescência é um período de grandes buscas e experimentações. Este processo pode ser muito saudável e rico em crescimento pessoal, especialmente se os adolescentes tiverem com quem dividir suas angústias, medos, aflições e se tiverem alguém que os oriente e lhes dê limite, quando necessário. 

Estudo publicado em outubro de 2001 e realizado em uma universidade australiana mostrou que estudantes dos graus 8 a 10 (correspondentes ao último ano do ensino fundamental e aos dois primeiros anos do ensino médio, no Brasil) consideram a mãe como melhor orientadora, quando o assunto é sexo. Os pais foram considerados pouco comunicativos a respeito deste mesmo assunto. 

Neste período de intensa descoberta, a falta de comunicação pode gerar aprendizagem errônea sobre a sexualidade, pois uma vez não orientados em casa, irão buscar informações com colegas que não se encontram em melhor condição de conhecimento. 

A grande preocupação em saber que fatores fazem os adolescentes tomarem a decisão sobre o momento do início da vida sexual, levou um grupo de pesquisadores norte-americanos a estudarem esta situação. 

Foram avaliadas 72 adolescentes - apenas do sexo feminino - com idade média entre 15 e 18 anos, aproximadamente. 44,4% delas já haviam tido experiência sexual, incluindo penetração vaginal. Não obstante as demais se considerarem "sexualmente inativas", estavam envolvidas em outras práticas sexuais (que não a penetração) não isentas de riscos (de gravidez precoce e de infecções por doenças sexualmente transmissíveis - DSTs). 

57,5% delas referiram estimulação sexual nos seios; 45% estimulação vaginal; 27,5% estimulação peniana no parceiro; 22,5% tiveram sexo oral feito pelo parceiro e 17,5% fizeram sexo oral no parceiro. Apenas 22,2% delas negaram qualquer tipo de contato sexual. 

Entre aquelas que tiveram alguma dessas experiências, os resultados mostraram que elas pouco refletem a respeito da chegada do momento da primeira relação sexual. 46,9% indicaram que "simplesmente aconteceu" e 28,1% decidiram ter relações sexuais num momento de maior intimidade com o parceiro. A maioria das participantes não havia discutido sobre o risco de gravidez (68,8%) nem sobre o risco de DSTs (56,3%) com seus pares ou seus pais. Esta falta de discussão esteve relacionada a chances aumentadas de gravidez indesejada e de doenças. 

Este mesmo estudo mostrou que 78,8% dessas adolescentes praticaram algum tipo de atividade sexual, incluindo ou não a penetração. 75% delas relataram não ter pensado em discutir ou planejar sua primeira relação sexual. 

Os pais, estando abertos para esclarecer as dúvidas sexuais de seus filhos, adequando o discurso à idade e às características individuais de cada um deles, poderão contribuir para que o momento de início da vida sexual seja mais consciente, menos ansioso e mais seguro. 

As adolescentes poderem "garantir" que ainda são virgens não exime os pais de discutirem com elas outras formas de sexo que existem e que possivelmente elas já estejam praticando. 

Os próprios pais devem conversar entre si, especialmente para que a adolescente perceba que eles se interessam sobre o assunto (não como investigadores ou policiais) e que também viveram este momento de iniciação. 

A maior dificuldade dos pais do que das mães em falar sobre sexo com seus filhos pode ser amenizada com discussão prévia deste assunto pelo casal. 

Fonte(s):  
•   (1) Rosenthal D, Senserrick T, Feldman S. A typology approach to describing parents as communicators about sexuality. Arch Sex Behav 2001; 30 (5): 463-82. 
•   (2) Marshall M, Merritt D. Decision-making in adolescent sexuality. J Pediatr Adolesc Gynecol 2001; 14 (3): 145-6.

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